Outro dia, faz um tempo considerável, estava eu, esperando há milhares de minutos, na fila do cartório. É complicado esse negócio de cartório. Tem 3 mesas, mas é raro as 3 estarem com funcionários atendendo. Geralmente são só 2, mas muitas vezes fica só uma pessoa atendendo. Aí que está o cerne do problema.
O tempo passava e eu não era atendido. Já estava ficando um tanto quando aborrecido e entediado. A bateria do celular sumia a passos largos e as alternativa rareavam. Eis que um fio de esperança surge, quase que do meio do nada. Os dois números da senha na minha frente não estavam na sala.
Fiquei todo garboso e elegante, olhos brilhando, peito estufado. Era minha vez. Não tinha erro. Só estava me preparando pra levantar e me dirigir até à mesa quando ouvisse o barulhinho da senha. Momento de angústia, o funcionário demorava pra apertar aquele maldito botão. Parecia que fazia de propóposito.
Eis que soa a senha. Meu sorriso quase presente e permanente se dilui, se esvai. Não tinha me dado conta que naquele tempo todo de espera havia chegado um idoso. A senha preferencial, como o nome diz, teve preferência sobre a minha senha e sobre mim, que estava esperando há horas.
Me irritei, não vou negar. Menos mal que o atendimento foi rápido. O próximo era eu, não tinha erro. Pois não é que teve erro? Tinha outro idoso que eu não tinha identificado. Foi frustrante, irritante, decepcionante. Nem sabia mais o que sentir. Perdi a minha vez duas vezes para pessoas idosas.
Não tenho nada contra os idosos e o atendimento preferencial, mas me causa profundo desgosto ser passado pra trás, bem na minha vez. DUAS VEZES ainda. Isso foi o que mais me indignou. A culpa não é dos idosos, é do cartório, que só tem uma mesa atendendo. Tivessem duas mesas e a situação seria amenizada.
O bom senso poderia indicar um rodízio entre senhas normais e preferenciais, mas acho que isso não é politicamente correto ou alguma coisa desse tipo. Correto mesmo é me deixar esperando pra dar a vez aos idosos. A culpa não é deles, mas foi por causa deles que demorei mais do que deveria.
Não me entendam mal. Nada tenho contra os idosos, ou qualquer cliente preferencial, embora possa parecer neste texto. Na verdade, até tenho, nesse caso tenho, não dá pra disfarçar. Tudo seria mais fácil se o atendimento fosse feito por mais pessoas. Não é o caso do cartório que fui. Meu azar, sorte dos idosos e suas senhas preferenciais.
Bom, no meu entendimento, idosos não deveriam ter prioridade nos Serviços de Registro (cartório), mais especificamente Cartório de Registro de Imóveis, eis que na própria lei de registros públicos podemos extrair o princípio da prioridade (art. 146 da Lei 6.015/73).
ResponderExcluirJá que um idoso não tem mais direitos, no que diz respeito ao protocolo, do que uma pessoa não idosa.